Estou no térreo do prédio onde farei minha consulta pré-natal, aguardando o elevador com mais umas cinco pessoas. Destas cinco, um é um idoso usando uma bengala. Na hora que o elevador pára, um cara com uns dois metros passa correndo na nossa frente e entra no elevador. Eu acho uma falta de respeito, principalmente com o senhor idoso de bengala, mas fico calada. Na verdade, não sei pra quê esta sangria desatada, já que o elevador já estava com a porta aberta e não ia fugir.Fecha a porta do elevador e a criatura começa:
- Nossa, que silêncio. Na minha terra não é assim, as pessoas se cumprimentam dentro do elevador, puxam papo.
Muitos sorrisos amarelos e ninguém responde. Ele não se dá por vencido.
- Aqui é diferente, né? Estranho. Na minha terra não é assim não.
Aí eu, que estava me segurando pra não falar nada, resolvo que vou abrir minha boca também. Abro um lindo sorriso e falo:
- Na minha terra, as pessoas deixam as grávidas e os idosos entrarem na frente nos lugares. E olha que eu sou daqui de Brasília mesmo.
Aí foi a vez dele abrir um sorriso amarelo...