Hoje li uma entrevista que me deixou um pouco chocada e preocupada. Publicada na IstoÉ desta semana, a escritora Lenore Skenazy (rotulada como a pior mãe do mundo por ter deixado o filho de 9 anos cruzar Nova York sozinho de metrô) critica os pais de hoje por serem superprotetores.
Para acompanhar o que vou falar abaixo, sugiro que leia a entrevista clicando aqui.
Realmente acredito que os pais de hoje são mais protetores do que os de antigamente. Claro que muitos realmente exageram, mas não há como negar que parte desse problema vem do fato de que o mundo hoje está muito mais violento do que o de antigamente. Lenore fala que deixou o filho andar de metrô sozinho pela cidade porque sentia que ele estava preparado. "Ele teria que usar o metrô e um ônibus para chegar em casa. Se tivesse algum problema, poderia pedir ajuda a alguém. Confiávamos nele. Sentíamos que estava preparado. Quando chegou em casa, estava extremamente feliz. Sentia-se capaz. Isso é algo que os pais deveriam celebrar", disse ela.
O problema é que existe o outro lado desta mesma moeda. Antigamente os "bandidos" (como diz o Vítor) não ficavam vigiando meninos para observar se eles estavam sozinhos ou não e roubá-los. Antigamente não era tão comum encontrar um pedófilo pronto para atacar uma criança que não está acompanhada por seus pais. Isso não é ser superprotetor, é ser realista. O mundo mudou e não dá pra querer viver como vivíamos antigamente. Antigamente dava pra andar a pé por determinados locais do Rio de Janeiro, por exemplo. Experimente fazer o mesmo hoje nestes determinados locais e você será assaltado.
Ela diz: "Se você fazia determinada coisa com 8, 10 ou 12 anos, deve deixar seu filho fazer a mesma coisa na mesma idade. Conheço mães que quando tinham 10, 12 anos eram babás e cuidavam de crianças de cinco anos ou até de recém-nascidos. Eram dignas de confiança nessa idade". Uma vez li uma frase e nunca mais a esqueci, ela marcou a minha vida. É umas destas afirmativas óbvias, mas que caem como uma bomba em cima de você, abre seus olhos, como se você nunca tivesse pensado nisso antes. Foi no livro "Domando sua ferinha", do escritor Cristopher Green. Como não lembro das palavras exatas, vou colocar aqui do jeito que me lembro, mas o sentido é exatamente este: "Os adultos costumam esperar que as crianças tenham juízo. Mas ser criança é justamente isso, não ter juízo. Crianças não têm juízo, quem precisa ter juízo são os pais".
As pessoas são diferentes, mesmo que elas tenham a mesma idade. Assim como os tempos são diferentes e também influenciam na maturidade que cada um tem. Meu filho, com 5 anos, provavelmente é diferente do que eu fui com 5 anos. É preciso ter cuidado ao nivelar as pessoas desta forma, sob o risco de expor a criança a riscos desnecessários.
Outra coisa que me preocupou foi quando ela falou sobre a Madeleine, a menina desaparecida em Portugal. Lenore diz que é temeroso quando, em vez de culpar algum maluco que a raptou, as pessoas culpam os pais por deixá-la sozinha. Claro que pior foi o fato do maluco tê-la raptado. Mas isso não exime o fato de que os pais a deixaram, sim, sozinha. Ela podia não ter sido raptada, mas podia ter acordado e ido passear perto das piscinas e cair numa delas. Ela podia ter ido mexer com fósforos e incendiar o quarto. Crianças não têm juízo e não devemos exigir isso delas, esse é nosso papel, não podemos transferir para elas.
Penso sempre em algo que meu pai dizia sobre crianças: "Nós tomamos conta delas por 23 horas, 59 minutos e 57 segundos. Nestes 3 segundos que nos distraímos, elas aprontam alguma". Claro que é uma brincadeira e não deve ser seguido ao pé da letra, mas é mais ou menos deste jeito. Mesmo tomando conta deles do melhor jeito possível, coisas ruins podem acontecer. Se damos chance para o azar, a probabilidade é muito maior. Como o caso infeliz da menina que se jogou de um prédio no Rio enquanto a mãe estava em uma festa junina no térreo. Assim como Madeleine, ela poderia ter incendiado a casa, caído nas escadas, colocado o dedo na tomada ou se afogado na banheira. Acontece sempre? Não. Mas acontece e é nosso dever de pai e mãe evitar que isso aconteça.
A escritora finaliza a entrevista dizendo: "Mas se a todo o momento você pressupõe que aquele pode ser o último minuto do seu filho, caso você não cuide dele direito, você não poderia desgrudar dele nunca". Concordo com ela, mas é preciso tomar cuidado para não caminhar exatamente na direção oposta. Precisamos tentar ficar entre o 8 e o 80.
Para acompanhar o que vou falar abaixo, sugiro que leia a entrevista clicando aqui.
Realmente acredito que os pais de hoje são mais protetores do que os de antigamente. Claro que muitos realmente exageram, mas não há como negar que parte desse problema vem do fato de que o mundo hoje está muito mais violento do que o de antigamente. Lenore fala que deixou o filho andar de metrô sozinho pela cidade porque sentia que ele estava preparado. "Ele teria que usar o metrô e um ônibus para chegar em casa. Se tivesse algum problema, poderia pedir ajuda a alguém. Confiávamos nele. Sentíamos que estava preparado. Quando chegou em casa, estava extremamente feliz. Sentia-se capaz. Isso é algo que os pais deveriam celebrar", disse ela.
O problema é que existe o outro lado desta mesma moeda. Antigamente os "bandidos" (como diz o Vítor) não ficavam vigiando meninos para observar se eles estavam sozinhos ou não e roubá-los. Antigamente não era tão comum encontrar um pedófilo pronto para atacar uma criança que não está acompanhada por seus pais. Isso não é ser superprotetor, é ser realista. O mundo mudou e não dá pra querer viver como vivíamos antigamente. Antigamente dava pra andar a pé por determinados locais do Rio de Janeiro, por exemplo. Experimente fazer o mesmo hoje nestes determinados locais e você será assaltado.
Ela diz: "Se você fazia determinada coisa com 8, 10 ou 12 anos, deve deixar seu filho fazer a mesma coisa na mesma idade. Conheço mães que quando tinham 10, 12 anos eram babás e cuidavam de crianças de cinco anos ou até de recém-nascidos. Eram dignas de confiança nessa idade". Uma vez li uma frase e nunca mais a esqueci, ela marcou a minha vida. É umas destas afirmativas óbvias, mas que caem como uma bomba em cima de você, abre seus olhos, como se você nunca tivesse pensado nisso antes. Foi no livro "Domando sua ferinha", do escritor Cristopher Green. Como não lembro das palavras exatas, vou colocar aqui do jeito que me lembro, mas o sentido é exatamente este: "Os adultos costumam esperar que as crianças tenham juízo. Mas ser criança é justamente isso, não ter juízo. Crianças não têm juízo, quem precisa ter juízo são os pais".
As pessoas são diferentes, mesmo que elas tenham a mesma idade. Assim como os tempos são diferentes e também influenciam na maturidade que cada um tem. Meu filho, com 5 anos, provavelmente é diferente do que eu fui com 5 anos. É preciso ter cuidado ao nivelar as pessoas desta forma, sob o risco de expor a criança a riscos desnecessários.
Outra coisa que me preocupou foi quando ela falou sobre a Madeleine, a menina desaparecida em Portugal. Lenore diz que é temeroso quando, em vez de culpar algum maluco que a raptou, as pessoas culpam os pais por deixá-la sozinha. Claro que pior foi o fato do maluco tê-la raptado. Mas isso não exime o fato de que os pais a deixaram, sim, sozinha. Ela podia não ter sido raptada, mas podia ter acordado e ido passear perto das piscinas e cair numa delas. Ela podia ter ido mexer com fósforos e incendiar o quarto. Crianças não têm juízo e não devemos exigir isso delas, esse é nosso papel, não podemos transferir para elas.
Penso sempre em algo que meu pai dizia sobre crianças: "Nós tomamos conta delas por 23 horas, 59 minutos e 57 segundos. Nestes 3 segundos que nos distraímos, elas aprontam alguma". Claro que é uma brincadeira e não deve ser seguido ao pé da letra, mas é mais ou menos deste jeito. Mesmo tomando conta deles do melhor jeito possível, coisas ruins podem acontecer. Se damos chance para o azar, a probabilidade é muito maior. Como o caso infeliz da menina que se jogou de um prédio no Rio enquanto a mãe estava em uma festa junina no térreo. Assim como Madeleine, ela poderia ter incendiado a casa, caído nas escadas, colocado o dedo na tomada ou se afogado na banheira. Acontece sempre? Não. Mas acontece e é nosso dever de pai e mãe evitar que isso aconteça.
A escritora finaliza a entrevista dizendo: "Mas se a todo o momento você pressupõe que aquele pode ser o último minuto do seu filho, caso você não cuide dele direito, você não poderia desgrudar dele nunca". Concordo com ela, mas é preciso tomar cuidado para não caminhar exatamente na direção oposta. Precisamos tentar ficar entre o 8 e o 80.